Me identifico como Mulher. Acredito que a influência da minha família tradicional me ajudaram a construir o conceito de mulher que habita em mim, assim como os relacionamentos que tive em escolas e faculdade até hoje.
Ao sair de um bairro tradicional e migrar para o centro, para uma escola técnica no 1°ano do ensino médio pude conhecer conceitos diferente do que me minha família me apresentará como mulher. Ali pude conhecer o Feminismo e me enxergar muito mais além do que limpar a casa e cozinhar, mesmo que esse conceito já tivesse dentro de mim intrinsecamente .
Minha mãe sempre me apoiará na questão da educação querendo sempre mais para mim nesse quesito e de certa forma, almejando para mim minha independência perante ao homem financeiramente, mas sempre enfatizando o casamento e sem perceber incentivando uma dependência em relação ao homem, já que a realização dela perante a mim, se daria também ao meu casamento e a criação por meio desse elo, de uma família, não culpo ela por, sem perceber, não conseguir ver que essa ultima é uma dependência nossa ao homem, visto que para ser aceita e para ter total admiração necessitaria de um casamento, o que é proveniente da região cultural e sócio-econômica que ela estava inserida em toda sua formação como Mulher até hoje. Uma boa parte de minha construção se deu a essa migração de polo social. Sai de uma região que havia um tipo somete de visão para outra com uma diversidade de visões e de permissões sociais relacionados a sexualidade e a expressão de seu gênero que deram a possibilidade de me conhecer de fato sem a apreensão de não ser aceito.
O ritual de fazer vendas de roupas usadas na rua, semanalmente, me permite conhecer e ouvir histórias de mulheres fortes, que a cada experiência contada com suas pluralidades de culturas e sabedoria, mesmo que transmitidos por um intervalo pequeno de tempo, me ajuda a me construir.
Acredito que os rituais e as performances que faço me reconstroem e ao mesmo tempo me reafirmam como eu me identifico.
”Escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que me vai lembrando e convindo à construção ou reconstrução de mim mesmo.”
– Machado de Assis